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Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Trilho das Lajes Altas

O acordar tardio revelou um dia solarengo, e apesar da tosse que teimava em querer mostrar a sua força, e um tornozelo mal refeito da maleita, a vontade de caminhar prevaleceu. Farnel nas mochilas e ala rumar a Paredes de Coura que se fazia tarde…

 

  
Chegados ao ponto de inicio da caminhada (a ermida de Nª Sr.ª de Irijó em Formariz) a horas mais que próprias para almoçar, não nos fizemos rogados e tratamos logo ali de aconchegar os estômagos que vinham já a reclamar por atenção e carinho, isto mesmo antes de realizado qualquer outro tipo esforço. O trilho, pelas expectativas geradas pela informação recolhida, também era curtinho e portanto não havia pressas. Reunidas as forças, e apenas com a descrição do percurso, pés ao caminho que o desejo de ver as ansiadas cascatas era muito…
 O inicio deste trilho está muito bem marcado e portanto não houve problemas! Toca a subir com a confiança nos seus pícaros… Sempre seguindo as marcações no terreno, fomos admirando a paisagem verde que nos envolvia, marcada aqui e ali pelas gigantescas campainhas rosa (eu chamo assim às plantas que têm as flores que rebentamos na cabeça do parceiro com um ruidoso “PLOC”). Pelo percurso cruzamos outros trilhos, mas estas intercepções estão bem marcadas, portanto nunca houve dúvidas sobre o caminho a seguir.
 A determinada altura deparamo-nos com um charco habitado por rãs. Estes pequenos animais chamaram-nos à atenção com os seus sonoros “RABIT” e por ali ficamos ainda algum tempo a aprecia-los e (tentar) captura-los… com a objectiva da máquina!
 Mais um pouco de caminhada e chegamos pois à estrada que tínhamos como referência. A questão é que as tão almejadas cascatas já deveriam ter surgido… e até ai… nada, absolutamente nada! “Bem, lá foi algum desvio que nos passou despercebido”, disse eu. “Haveremos de cá voltar outra vez, mas com um mapa do percurso para não falharmos”, rematei! Com o ânimo bastante mais baixo, continuamos o percurso, ainda com tempo de nos cruzarmos com uma bela cobra… Isto, até que nos surge uma ponte… “Espera, devíamos ter passado nesta ponte antes daquele desvio, queres ver que estamos a fazer o percurso ao contrário?”. E estávamos! De ânimo reavivado, saímos da estrada e enveredamos por um caminho com umas belíssimas lajes de granito… à medida que a altitude ia baixando a vegetação foi-se adensando, e o verde intensificava-se. Começamos entretanto a seguir um pequeno canal de água muito cristalina e ao longe ouvia-se já o som das águas a cair do alto, prenúncio do espectáculo que se aproximava…
Até que demos com a tão desejada paisagem … um belo riacho, de águas não tocadas pelo lixo dos homens, que corre apressadamente por entre as pedras que fazem o caminho e caindo de seguido pelos penhascos. Ali no topo da cascata não pudemos evitar o ar atónito olhando para tamanha beleza… Era o verde, muito verde que nos envolvia. Eram os raios de sol mais ariscos que de quando em vez conseguiam furar por entre a frondosa vegetação. Era toda aquela água que vinha do fundo, escorregando pelas pedras, e que ali, sentindo-se reprimida, libertava toda a sua energia. E era o som… o som de toda aquela água a correr. Som que em qualquer sonómetro poderia ser excessivo, mas que ali era de tal forma envolvente que sem ele o espectáculo não seria, de certo, o mesmo! Passaram-se os minutos e por ali andamos, para a frente e para trás, maravilhados, tentando sorver ao máximo toda aquela energia , permitindo a limpeza da nossa alma, e tentando recolher o máximo de pormenores que existiam!
Refeitos do espectáculo, seguimos caminho, não sem uma pequena mágoa por, primeiro, o tempo não permitir o mergulho naquelas águas, e segundo, não conseguirmos descer ao fundo da cascata. A primeira não conseguimos resolver, o tempo não melhorou… mas a segunda… a segunda conseguimos! Alguém providenciou um caminho, íngreme, difícil até em alguns pontos, assinalado por uma seta, que nos leva até ao fundo da cascata, mas vale muito mais que o esforço. Se até ali já estávamos maravilhados, ver ali ao perto as águas lançarem-se lá do alto, com toda aquela energia… Que belíssimo espectáculo… As fotos não fazem jus ao cenário. Toda aquela água… e o som… outra vez o som… maravilhoso!!! Tudo isto temperado pela nuvem de água que nos tocava na pele… Lá no fundo, não nos podemos deixar de sentir pequeninos e insignificantes, mas também abençoados por nos ser permitido assistir a tamanha beleza…

Agora sim, sem nenhuma mágoa seguimos caminho, sempre junto ao canal de água. Chegados a um entroncamento, nada de marcas a indicar trilho… As indicações que tínhamos não eram precisas e para além do mais estávamos a percorre-las pelo sentido contrário. Começamos então a caminhar sem grande segurança, em busca de pequenos resquícios das marcações. Não foram raras as vezes que após algumas centenas de metros sem nenhuma indicação voltamos a trás e optamos por outro caminho… As indicações eram pois fracas, e o que deveria ser uma caminhada curta, parecia estar-se a estender para alem das nossas expectativas… Mais, o receio que por engano tivéssemos enveredado por outro trilho começava-se a adensar… Pior, não havia sinais da capela onde tínhamos iniciado o trilho e já ldeviamos estar lá perto. Estávamos realmente perdidos, sem mapa e o GPS tinha dado o berro. Comecei a pensar no pior dos cenários. Em último caso dirigia-me a uma das casas que se via no fundo do vale e pedia o número do táxi para nos levar de volta. Tínhamos sempre essa hipótese. E se não tivéssemos, e se fosse, por exemplo, no Gerês profundo? Tínhamos que pernoitar por ali e depois fazer o trilho todo ao contrario ou arriscávamo-nos a percorre-lo com o escuro. Estava preocupado! A determinada altura alguém diz “Tenho a sensação que já passamos por aqui, logo no inicio”. “Ná! Deve ser impressão tua. Que referencias temos? Nenhuma…” respondi! Mas realmente aquela paisagem começava a parecer familiar. Resolvemos voltar atrás e lá estava… a marcação para o inicio do troço que nos tinha passado despercebida. Mais aliviados, chegamos finalmente ao carro… Apesar de termos andado quase um terço do caminho às aranhas, lá conseguimos dar com o nosso destino. Para a próxima não podemos deixar de preparar o trilho com mais antecedência, munirmo-nos de um mapa da zona e carregar a bateria do GPS. Serviu-nos de lição…
 Terminado o percurso, e já em casa, confirmei a minha suspeita. O trilho é mais comprido o que aquilo que anuncia no prospecto (+1 km). Mas vale bem a pena pela paisagem mística que encontramos…
Já agora, se alguém do Município de Paredes de Coura ler este post, seria conveniente rever as marcações no inicio (nosso fim) do trilho para evitar que outros caminheiros se percam.

Dados da caminhada:

 

 

música: Silence Must Be Heard - Enigma
publicado por Pé na Rota às 19:36
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